
Universidade de Santiago debate nova ordem mundial e desafios globais
A Universidade de Santiago (US) acolheu, na quinta-feira, 26, a conferência intitulada “New World Order”, proferida pelo intelectual luxemburguês Armand Kless. O evento proporcionou à comunidade académica um espaço de reflexão sobre os rumos da política internacional contemporânea e os desafios que marcam a atual configuração do sistema global.
Durante a sua intervenção, Kless apresentou uma visão humanista e ética da geopolítica mundial, criticando o atual cenário internacional, marcado por uma forte hegemonia de potências globais, com destaque para os Estados Unidos. Segundo o conferencista, essa predominância, muitas vezes justificada em nome da manutenção da paz mundial, contribui para o enfraquecimento do direito internacional e para o agravamento dos desequilíbrios no sistema global.
O intelectual abordou igualmente o papel da Europa no contexto atual, apontando fragilidades políticas do bloco e uma dependência que, na sua perspetiva, a mantém essencialmente como um espaço de integração económica. Em paralelo, destacou o crescimento da influência da China no cenário internacional, especialmente no continente africano, referindo os investimentos em infraestruturas e a estratégia de cooperação de longo prazo adotada pelo país asiático.
Relativamente ao continente africano, o professor da Universidade de Santiago, Nardi Sousa, explicou que Kless defendeu a necessidade de África construir modelos institucionais próprios, adaptados às suas realidades políticas, económicas e sociais. O conferencista alertou ainda para os desafios históricos que marcam o continente, como as consequências do colonialismo, as fronteiras artificiais e os conflitos internos, sublinhando a importância da unidade e do desenvolvimento sustentável.
Outro ponto destacado foi a crítica ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que o conferencista considera uma estrutura ultrapassada, por não refletir o atual equilíbrio de poderes no mundo, deixando de fora países e regiões relevantes como a Índia, o Brasil e o próprio continente africano.
De acordo com o professor Nardi Sousa, aos 76 anos, Armand Kless possui uma vasta experiência académica internacional, com passagens por instituições de referência como a Universidade de Harvard e universidades na China. Apesar do percurso consolidado, o intelectual reconhece que não detém todas as respostas, defendendo a importância do debate aberto e da reflexão crítica sobre o futuro da humanidade.
Para o professor da Universidade de Santiago, o principal objetivo da conferência foi alcançado: estimular o pensamento crítico dos estudantes e proporcionar à comunidade académica um espaço de diálogo e reflexão sobre os desafios globais e as incertezas que marcam a construção de uma nova ordem mundial.

