“Pobre não fala português?” promove reflexão sobre língua, identidade e desigualdades sociais em Cabo Verde

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“Pobre Não Fala Português?” é o título da mais recente obra do professor e investigador Luís Rodrigues, lançada no âmbito das atividades das semanas departamentais.

Resultado de vários anos de investigação sobre as dinâmicas linguísticas em Cabo Verde, o livro procura compreender as relações entre a língua portuguesa, a língua cabo-verdiana e as desigualdades sociais presentes na sociedade cabo-verdiana. A obra analisa de que forma as escolhas linguísticas influenciam o acesso à educação, à cultura e às oportunidades de mobilidade social, evidenciando o papel da língua na construção das relações de poder e inclusão.

Durante a apresentação, Luís Rodrigues agradeceu a todos aqueles que marcaram o seu percurso académico e profissional desde a sua chegada a Cabo Verde, entre os quais professores, colegas, dirigentes e estudantes, reconhecendo o contributo de cada um para a concretização da obra.

O autor explicou que a inspiração para o livro surgiu da sua experiência como docente de Língua Portuguesa na Universidade de Santiago e das observações realizadas junto dos estudantes ao longo dos anos. Segundo referiu, “a investigação permitiu identificar diferentes perceções sobre o uso das línguas no contexto cabo-verdiano e a forma como estas podem estar associadas a questões de prestígio social e oportunidades de ascensão.”

O título da obra nasceu de uma frase proferida por um jovem entrevistado durante a investigação, expressão que sintetiza algumas das representações sociais existentes sobre a relação entre língua e condição social. Para o autor, esta realidade evidencia a necessidade de um debate mais aprofundado sobre as políticas linguísticas e o seu impacto na vida dos cidadãos.

Na sua mensagem final, Luís Rodrigues destacou que as políticas linguísticas não dependem apenas das decisões governamentais ou institucionais, mas também das escolhas realizadas diariamente pelos próprios falantes. Defendeu, por isso, uma maior consciência sobre o papel das línguas na promoção da inclusão social, da cidadania e da valorização da diversidade cultural.

O lançamento da obra constituiu um dos momentos marcantes da programação da semana do DCEFL, encerrando o dia com uma reflexão enriquecedora sobre identidade, língua e justiça social em Cabo Verde.