“O turismo deve ir ao encontro do homem cabo-verdiano”, defende José Luís Mascarenhas Monteiro

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O Campus da Praia da Universidade de Santiago acolheu esta quarta-feira, 17, o lançamento do livro Turismo e Desenvolvimento Sustentável, no qual o autor, José Luís Mascarenhas Monteiro, defende a necessidade de Cabo Verde abandonar o modelo de turismo de massa assente nos “3 B’s” (Bom, Bonito e Barato) adoptar uma estratégia sustentável que valorize o homem cabo-verdiano, a sua cultura e identidade, garantindo que os benefícios do sector cheguem efectivamente às comunidades locais.

A sessão de apresentação contou com um painel de reconhecido mérito académico, integrado pelas doutoras Helena Semedo e Elizabeth Moreno e pelo professor Eduardo Sarmento, e reuniu decisores políticos, académicos e profissionais ligados ao sector do turismo.

Na ocasião, o autor explicou que a pandemia da Covid-19 acabou por desempenhar um papel determinante na conclusão da sua investigação. As restrições à mobilidade impostas pela crise sanitária criaram, segundo afirmou, condições para uma maior articulação entre a actividade profissional e a investigação académica, permitindo-lhe transformar um contexto de adversidade numa oportunidade para concluir a tese de doutoramento que esteve na origem da obra agora apresentada.

No centro do livro, conforme explicou José Luís Mascarenhas, está a defesa de uma mudança estrutural do modelo turístico, com a transição dos tradicionais “3 B’s”, associados ao turismo de massa e de sol e praia, para os “3 V’s” (Valorizado, Viabilizado e Vitalizado) assentes numa lógica de sustentabilidade, inclusão e valorização dos recursos endógenos.

José Luís Mascarenhas Monteiro sublinhou também que Cabo Verde deve romper com o paradigma vigente e adoptar uma estratégia que coloque o homem cabo-verdiano no centro do produto turístico, valorizando a sua cultura, identidade e modo de vida. Para o autor, este novo modelo passa por assegurar que os ganhos financeiros do sector revertam directamente a favor das populações locais e por revitalizar patrimónios e recursos ainda subaproveitados, como a Cidade Velha.

“O turismo deve vir ter com o homem cabo-verdiano na sua residência, e não o homem ter de sair do seu habitat para ir ao encontro do turismo”, afirmou, defendendo um turismo mais inclusivo, equilibrado e sustentável.

A obra, acrescentou, apresenta propostas para mais de 20 novos produtos turísticos, resultantes de uma abordagem interdisciplinar e da valorização da riqueza histórica, cultural e natural da Macaronésia.

Concluindo, o autor anunciou que o segundo volume do livro deverá ser lançado no início de Fevereiro, sendo dedicado a estudos de caso específicos sobre Cabo Verde e a Macaronésia, aprofundando a vertente prática e a implementação das reformas estruturais propostas.