Reitor da US apela ao compromisso ativo dos mestrandos na produção de conhecimento

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O Reitor da Universidade de Santiago (US), Gabriel Fernandes, defendeu esta quarta-feira, 14 de janeiro, no Campus da Praia, uma academia crítica, participativa e socialmente comprometida, apelando aos estudantes de mestrado para que assumam um papel ativo na produção e partilha do conhecimento, como resposta aos desafios contemporâneos do país e do mundo.

As declarações foram feitas na cerimónia de arranque dos Cursos de Mestrado da instituição, onde o Reitor deu as boas-vindas aos novos mestrandos e sublinhou que a Universidade existe para contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento científico, cultural, económico e social, formando cidadãos e profissionais capazes de intervir de forma transformadora na sociedade.

Gabriel Fernandes afirmou que a atual configuração histórica mundial impõe uma atitude crítica e proativa por parte das instituições e da população, alertando para aquilo que classificou como um “apagão moral” e um “recuo civilizacional”, marcado por incertezas, riscos e o regresso de problemas que se julgavam ultrapassados. Neste contexto, destacou o papel central da Academia na construção de respostas sustentadas no conhecimento.

O Reitor congratulou-se ainda com o alargamento dos mestrados da Universidade de Santiago a várias ilhas de Cabo Verde e a outros países, considerando que, apesar da juventude das instituições de ensino superior no país, a US tem vindo a afirmar-se de forma sólida através da produção científica, da presença nas comunidades e dos programas de extensão universitária.

“Não há conquistas cristalizadas. Os desafios são diários e exigem empenho permanente”, sublinhou Gabriel Fernandes, destacando, igualmente, a parceria estratégica com o Instituto Politécnico de Leiria, iniciada ainda antes do arranque da Universidade de Santiago, em 2008, considerando-a um exemplo de cooperação profunda entre instituições, baseada na cumplicidade, solidariedade e partilha de projetos.

A cerimónia contou, aliás, com a presença do Diretor da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, Sérgio Leandro, e da docente daquela instituição de ensino Dulcina Ramos.

O Reitor defendeu ainda a necessidade de uma academia participada, alertando que o processo de produção de conhecimento é multidirecional e não deve estar centrado exclusivamente no docente. “Quem fica à espera jamais alcança”, afirmou, apelando à autonomia intelectual e ao envolvimento ativo dos mestrandos na definição das agendas de investigação e na afirmação científica da instituição.

Entre os desafios anunciados, destacou a reabilitação do Centro de Pesquisa e Estudos Avançados e do colegiado de pós-graduação, bem como o reforço das publicações científicas, dos programas de extensão universitária e de iniciativas como o Rotas do Arquipélago e o Roteiros Mundi, incentivando os estudantes de mestrado a apropriarem-se destes espaços e projetos.

No final da sua intervenção, o Reitor desejou sucesso aos novos mestrandos e reafirmou o compromisso da Universidade de Santiago com uma academia forte, participativa e orientada para o bem-estar individual e coletivo. “Contem connosco, porque estamos a contar convosco”, concluiu.

A cerimónia contou ainda com intervenções dos Coordenadores dos cursos de Gestão de Recursos Humanos (GRH), Ciências Empresariais (CE), Políticas Públicas e Desenvolvimento Local (PPDL), Direito das Empresas e do Trabalho (DET), Pedagogia (PED) e Português como Língua Segunda (PLS), que apresentaram os respetivos programas e desafios formativos.

O evento ficou igualmente marcado pela Conferência de Abertura intitulada “Educação, Pessoas e Organizações no século XXI: Desafios Éticos, Tecnológicos e Humanos”, proferida pela Doutora Simone Cabral e pelo Doutor Sérgio Leandro, com moderação do Doutor Pedro Matos, que abordou as transformações contemporâneas no ensino, nas organizações e na sociedade.