
Universidade de Santiago abre Semanas Departamentais com foco na cidadania
A Universidade de Santiago (US) deu esta terça-feira, 02 de junho, início às Semanas Departamentais dos departamentos de Ciências Jurídicas e Sociais (DCJS) e de Ciências da Educação, Filosofia e Letras (DCEFL). Um evento que reúne docentes, estudantes, investigadores e convidados em torno de um amplo programa de conferências, palestras, mesas-redondas e atividades científicas e culturais, reforçando o papel da academia como espaço de reflexão, produção de conhecimento e intervenção social.
A abertura da Semana contou com a comunicação do docente Anderson Barbosa, coordenador do curso de Direito, que destacou a importância da iniciativa enquanto plataforma de diálogo, aprendizagem e construção coletiva do conhecimento. Nesta edição, o departamento escolheu como tema central “Políticas Públicas e Comunicação Orientadas para o Fortalecimento da Cidadania”, um desafio que, segundo o docente, exige respostas integradas e uma abordagem multidisciplinar para enfrentar os problemas contemporâneos.
“Fortalecer a cidadania implica promover o diálogo, a cooperação e a partilha de conhecimentos entre diferentes áreas do saber. A universidade tem a responsabilidade de formar cidadãos críticos, conscientes e comprometidos com o desenvolvimento da sociedade”, afirmou Anderson Barbosa, apelando à participação ativa dos estudantes nas atividades programadas ao longo da semana.
Ainda no âmbito das jornadas do DCJS, o mestre Júlio Mário Siga, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), proferiu a conferência “Dispositivo Colonial na Guiné-Bissau e Cabo Verde: Política de Línguas e Língua de Política”. A intervenção proporcionou uma reflexão aprofundada sobre as relações entre língua, poder e identidade nos contextos pós-coloniais, suscitando um debate enriquecedor entre os participantes.
Por parte do Departamento de Ciências da Educação, Filosofia e Letras, o chefe deste, Luís Rodrigues, que recorreu ao poema Horizonte, de Fernando Pessoa, para traçar um paralelo entre a experiência universitária e uma viagem de descoberta, crescimento e transformação, defendeu que a universidade é o espaço onde os estudantes aprendem a transformar dúvidas em conhecimento, desafios em oportunidades e sonhos em projetos de vida.
Luís Rodrigues sublinhou ainda que aprender e investigar exige a coragem de “ver as formas invisíveis”, construindo novos caminhos para o futuro através do conhecimento e da inovação.
“O ensino superior deve estar cada vez mais próximo da sociedade, produzindo conhecimento com impacto real na vida das pessoas e valorizando o protagonismo dos estudantes”, defendeu, apelando ao envolvimento de toda a comunidade académica nas atividades previstas.
Entre os convidados desta edição esteve a jornalista Marilene Pereira, homenageada do programa Portas Abertas, que destacou o papel cada vez mais relevante da Universidade de Santiago no panorama nacional. Para a profissional da comunicação, o crescimento da visibilidade da instituição resulta do trabalho consistente que tem vindo a desenvolver em diferentes áreas da formação, investigação e extensão universitária.
“Tenho visto de forma muito positiva a presença da Universidade de Santiago em Cabo Verde. É uma universidade muito visível e, se é visível naquilo que faz, é porque está a trabalhar. Quem não trabalha não aparece”, afirmou.
A jornalista aproveitou ainda a ocasião para refletir sobre a missão do jornalismo enquanto instrumento de cidadania e transformação social.
“O jornalismo é a ciência da interrogação. Fazemos perguntas em nome daqueles que muitas vezes não têm acesso às respostas. É uma forma de contribuir para a resolução dos problemas da sociedade e para o fortalecimento da democracia”, sublinhou.
No final do primeiro dia de atividades, o Chefe do Departamento de Filosofia e Letras, Luís Rodrigues, fez um balanço positivo da iniciativa, considerando que os objetivos definidos foram plenamente alcançados. O docente destacou o ambiente de partilha, aprendizagem e convivência académica que caracteriza as Semanas Departamentais, promovendo o encontro entre estudantes, professores e investigadores num contexto diferente daquele vivido diariamente nas salas de aula.
“São momentos de crescimento coletivo, de troca de experiências e de valorização do conhecimento. Permitem também dar visibilidade aos diferentes cursos e áreas de formação da universidade, fortalecendo o reconhecimento mútuo entre departamentos e estudantes”, afirmou.
Para Luís Rodrigues, estas iniciativas assumem igualmente uma dimensão humana importante, ao aproximarem docentes e alunos num ambiente mais informal, marcado pela colaboração e pela partilha de experiências.
“Ultrapassamos a relação tradicional entre professor e aluno. Muitas vezes estamos juntos como colegas, espectadores ou aprendizes. É essa dinâmica que torna estas atividades tão importantes para a vida académica”, acrescentou.
O docente concluiu destacando a extensão universitária como uma das marcas identitárias da Universidade de Santiago, defendendo que a ligação permanente à sociedade continua a ser um dos principais diferenciais da instituição.
“As Semanas Departamentais refletem aquilo que a Universidade de Santiago tem procurado ser desde a sua fundação: uma universidade aberta, participativa e comprometida com o desenvolvimento social, a cidadania e a transformação das comunidades”, concluiu.
As atividades prosseguem ao longo da semana com um programa diversificado de conferências, debates, palestras e iniciativas culturais, reforçando o compromisso da Universidade de Santiago com a formação integral dos seus estudantes e com a construção de uma sociedade mais participativa, informada e inclusiva.

